segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Pobre Renata, tomando um café, sozinha, em Montmartre, domingo.


Esse fim de semana minhas amigas viajaram, e eu fiquei sozinha.
Fazer certas coisas assim é um exercicio de independência, uma tarefa nao muito facil, pelo menos pra mim.
Pensei, pensei e resolvi caçar quinquilharias nas lojinhas de souvenirs perto de Notre Dame.
Entrei e sai de umas 10 ou 15, procurando quem tinha o menor preço por uns pôsteres belle epoque, que acabei comprando em Montmartre, no dia seguinte.

Mais tarde, passei no mercado, pra garantir minha boia de domingo (dia em que nenhum mercado abre aqui), comprei minha baguete, manteiga com sal, Coca-Cola e voltei pra casa. Era cedo, talvez umas 19h30, e me bateu um desespero por me estar sozinha, privada de fazer coisas divertidas, como ir a algum barzinho em St. Michel...
Em vez de ficar em casa amargurada, fui bater perna na Champs Elysées, perto mas divertido, e entrei na Sephora, uma rede de perfumaria gigante, onde fiquei mais umas 2 horas escolhendo meu proximo perfume (que acabei nao comprando).
Pensei em ir ao cinema, mas perdi a sessao das 19h, e a das 21h terminaria muito tarde, pra depois eu ter que voltar de metrô de St. Lazare.
Voltei, degustei meu pao e vinho e umas 22h30, como de costume, fui dormir.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Transporte e segurança, duas coisas básicas, que fazem parte do dia-a-dia e deveriam ser comumente eficazes. Não no Brasil. Aqui são.
Ontem, como quase toda noite, saí pra dar a minha clássica voltinha, umas 21h. A Avenue des Ternes não é das mais movimentadas de Paris, nem das mais calmas. Mediana, eu diria.
Bom, o que eu quero dizer é que eu mal estava me dando conta de que eu ando sozinha, à noite, com bolsa e MP3 no ouvido, tranqüilamente. Não tinha parado pra pensar que eu não faria isso em Sampa. A cidade é segura, embora as más línguas digam que não é bem assim...
E o sistemas de transportes... Seria perfeito, não fosse o mau cheiro e a sujeira. Nesse quesito, SP ganha... só nesse. A malha aqui é muito rica, tem uma estação a cada 300 metros.
Ah, se os políticos brasileiros tivessem boa vontade como os daqui...

Esses sao: MP3, Jornal e Vinho Francês, meus companheiros inseparaveis. E minha cama.

Não, não virei alcoolatra. Apenas peguei o hábito francês de tomar uma taça no início da noite; mas nem toda noite, é claro.

A música é uma coisa essencial. Parece tão fútil, mas tem o poder de levantar o astral. Pelo menos tem funcionado assim comigo, quando estou precisando de uma dose de ânimo.
O jornal com a meteo, uma espécie de ritual francês, as notícias do dia, uma boa forma de aprender a língua.
Minha cama, caminha! Tão confortável, quarto quentinho, ela me abraça toda noite pra dormir!
Declaração de amor à minha cama: dei muita sorte de ter encontrado uma coisinha tão confortável como você!
Que mais? Comprei Black Coffee, Sarah Vaughan, dias depois que cheguei. Ouço muito. Combina com a cidade, que tem um ar intelectual.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Livre

Acabei de voltar da prefecture, onde fui fazer meu exame médico e pegar meu titre de séjour. A partir de agora, até julho, estou livre, sou uma imigrante legal. Posso procurar outro trabalho, se eu quiser. Talvez eu o faça, porque cuidar de criança nao é a minha praia... Embora eu tenha algumas regalias aqui em casa, eu até teria coragem de me aventurar em outro trabalho.
Quem sabe... Vou pensar, porque nao tenho nao a perder. E estudante tem direito a algumas horas de trabalho. é a lei!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Fomos eu, a Ana e a Angélica, minhas amigooonas brasileiras, à Euro Disney, sábado.
Eu amei. Teoricamente posso ser completamente anti-mickey-mouse, mas na prática... Eu me esbaldo... Tudo muito bem-feito, a fantasia materializada. Banho de adrenalina nos miolos.

Nossa, acabei de ter uma impressão estranha escrevendo... Estou usando termos em português que não sei mais se existem. "Esbaldo", "materializada"... ça existe? Alguém me ajude...
Alguma coisa está acontecendo comigo, ando trocando as bolas, às vezes um termo em português me falta quando eu e as meninas estamos conversando ("me falta", isso também não existe...).

Engraçado o poder da necessidade de adaptação. Quando eu cheguei, lembro que fiquei desesperada quando a "mãe" começou a conversar comigo, porque eu não entendia nada. Fazia que sim com a cabeça pra não parecer tão perdida, pra ela não ter uma impressão negativa de mim... (a falsa impressão verdadeira que eu não falava francês!!)
Quando liguei a televisão então, desespero maior ainda! Nao entendia uma só palavra! Em suma, estava sozinha...
Eu lembro que foi uma guerra de nervos. Eu ligava a TV, escutava, escutava e pensava: você vai aprender, você vai entender, você precisa entender, você vai aprender..., como se eu estivesse dando uma ordem pro meu cérebro. E juro, 1 mês e 15 dias depois, eu entendo uns 70%. Virou uma questão de vocabulário agora, coisa que não é nada fácil também. Em média, assimilo umas 3 novas palavras por semana. Parece pouco, mas não é.
As aulas estão sendo ótimas, e é lá onde mais consigo enxergar minha evolução.

Tudo isso pra dizer que adorei o parque...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Les foules

Reparei que há muitos loucos aqui. Louco louco, doido de pedra, com problemas psiquiátricos.
Não sei se em lugares onde o clima é indócil existe uma tendência maior ao desenvolvimento de doenças mentais; pode ser. A cidade tem cerca de 2 milhões de habitantes e, no meio dessa pequena multidão, esse fato se evidenciou...
Entro no metrô, sento e daqui a pouco vejo alguém falando alto. E sozinho.

Outro dia, voltando pra casa depois de umas voltas pelo centro comercial de La Defense (pq a palavra shopping não existe aqui. Bravo, franceses!), vi uma criatura bizarra no metrô:
era baixo, atarracado, tinha cabelo crespo como que enrolando todo o pescoço e descendo pelo tórax, mal dando pra ver o rosto, não sei se era homem ou mulher... Talvez tivesse aquela doença chamada, acho que, Lupus...
Eu fiquei horrorizada, tentando imaginar como aquele ser se sente, se ele já se acostumou aos olhares curiosos e repulsivos... Sei lá, na Europa ainda deve ter muito "cruzamento" intrafamiliar, como na Idade Média, entre as coroas, e por isso esse tanto de perturbações genéticas e psíquicas...
No Brasil, o povo pode ser feio, mas é vira-lata, resistente.

Também vejo muitas pessoas pedindo esmola, muitas destas são mulheres vestindo burca. Árabes, pêut-être.