sexta-feira, 14 de março de 2008

Hoje é sexta-feira, os pais saíram pra comemorar, e eu fiquei em casa com as crianças. Tranqüilo, porque 21h eu boto todo mundo pra dormir, sem conversa, e eles até não fazem tanta birra como eu imaginava.
Eu até gosto de ficar aqui algumas noites, pois posso usar a internet e o telefone, bem como a geladeira, até a hora deles chegarem... hehehe...
Engraçado lidar com crianças. Eu nunca imaginei que um dia eu pudesse me ocupar disso, mas até que estou pegando o ritmo, embora a convivência com eles tenha reafirmado minha intenção de nao ter os meus. Mas sabe-se lá, né?
Cuidar de três meninos não foi fácil no começo, mas agora, que o bendito tempo passou, estamos nos entendendo melhor.
Faz 2 meses e 13 dias que eu cheguei, meu nivel de francês está bacana, tenho estudado mais, agora que Paris ja não é mais tão novidade, e estou começando a pensar na parte ruim da minha volta, ou seja, trabalho...
Nossa, quantas frases desconexas...

quinta-feira, 13 de março de 2008

Queria contar um pouco sobre a família com a qual eu moro.
Bom, ela, Marie Pierre, tem 48 anos, três filhos, sendo que o mais novo, Guillaume, tem quase 3 anos, o do meio, Auguste, 6, e o mais velho e mais gentil, Charles, 7 anos. Isso quer dizer que ela começou a ter filhos depois dos 40. E parece que isso é bem comum aqui.
é engenheira, trabalha de segunda a sexta, sai às 8h e volta umas 20h. Pouco fica com os filhos, mas esse pouco tempo, eu acho que é de "qualidade", por assim dizer.
O pai, Jean Marie, deve ter uns 45 - aliás, hoje ele faz anos -, é militar, comandante da armada francesa, pra ser mais precisa. Ou seja, em caso de guerra, eu estou no paraíso... hehehe...
Ele é quem passa mais tempo com os filhos, pelo que me parece, embora saia antes dela pra trabalhar e, à noite, fique no sexto andar umas duas horas pra ver como andam umas tais obras...
O fato é que, fim de semana, ele parte para "o campo" com as crianças, e ela fica. Sempre.
Férias? Ele foi com as crianças, ela ficou. Quando eu cheguei, dia 2 de janeiro, ela estava aqui,
ele, lá, com as crianças. Eu acho meio bizarro, meio normal... Sei lá, pra mim isso é diferente.
As crianças, desde cedo, são acostumadas a andar de metrô, de ônibus, a lidar com gente de fora, como eu, por exemplo, a nounou, a faxineira, que é portuguesa. A educação deles, eu acho diferente. Pelo menos, diferente da minha. Ainda não sei se melhor ou pior, apenas diferente. Agora é preciso esperar que eles cresçam pra tirar uma conclusão.

sábado, 8 de março de 2008


Sabado à noite, fui assistir a uma opera, The Rakes Progress, de Stravinsky, no Opera Garnier. O palacio é deslumbrante, talvez até brega, de tao chique. Tapeçaria vermelha, tudo vermelho e dourado, cheio de afrescos, bem ao estilo francês.
Foi legal, achei que eu nao fosse aproveitar, porque fui sozinha de tudo, mas descobri que esse tipo de programa é bem pra esse tipo de situaçao, quando quer sair e ninguém pode te acompanhar. Onde eu sentei, no segundo andar, das seis pessoas que estavam no mesmo camarote, quatro estavam desacompanhadas.

quinta-feira, 6 de março de 2008

No RER

Vou contar um causo que me sucedeu outro dia.
Sábado passado fui trocar aquele DVD que não funcionou, perto do Centre Pompidou, meio que o centro da cidade.
Peguei o trem, RER, em vez do metrô, pois é bem mais rápido.
Naturalmente, entrei e sentei-me. Uns dez segundos depois, um ser do sexo masculino senta no banco exatamente à minha frente e começa a me encarar. Não, não discretamente, mas na maior cara-de-pau, com direito a sorrisinhos nojentos, e, mesmo que eu olhasse para o além, percebia que ele continuava a me encarar.
Como não podia saltar do trem em movimento, resolvi ficar ali, quieta, contemplando o vagão, sem deixar meu olhar encontrar o dele.
Tudo bem. Chegamos à minha estação, levantei-me para descer e... não é que o ser bizarro levantou também, encarando-me cretinamente; descemos do trem, e ele simplesmente começou a me seguir. Eu mudava de direção, parava do nada e voltava e ele, atrás, como uma sombra...
Enfim, não sei como, consegui despistá-lo.
Fui fazer o que precisava, rodei por lá uma hora mais ou menos e depois passei numa loja pra ver uns pôsteres com imagens da cidade, antes de voltar pra casa. Nesse momento, atrás de mim, ouço uma voz murmurando algo do tipo "Salut, jolie!" et blablablá: era o ser francês, dizendo coisas que eu prefiro não repetir. O sangue me subiu, e eu fui tão estúpida que o cara resolveu ir embora.
Pela primeira vez, senti medo em Paris.

quarta-feira, 5 de março de 2008

L'eau

Ontem à tarde fui comprar um creminho para me ajudar a contornar os estragos causados à pele do meu rosto pelo consumo descontrolado de Nutella... e, de quebra, comprei um hidratante corporal.
Ok, por que eu contei isso? Porque me lembrei de que, quando fui à consulta médica aqui em Paris pra poder dar andamento ao meu titre de séjour, disse ao médico que eu tinha notado minha pele muito ressecada... Muito mesmo, não apenas aquele ressecamento normal, causado pelo frio.
Et voilà, ele disse que, de fato, a água francesa tem um grave probleminha: pedras. Invisíveis, é claro. E eu já tinha mesmo reparado que, na casa onde eu moro, a jarra de vidro, usada pra colocar água da torneira, tem um aspecto meio velho, parece sempre suja, mas não adianta lavar, que aquilo não sai...
Depois de alguns dias, fiquei sabendo que a tal "pedra" é, na verdade, calcário.
E assim descobri por que as francesas jovens são tão bonitas e as mais velhas têm a pele simplesmente destruída, detonada, cheia de rugas.
Um bom motivo pra dizer: Brasil, je t'aime!!

terça-feira, 4 de março de 2008


Experiência desagradável n° 1:
Sábado, toda feliz depois de ter enfim comprado o DVD "Le fabuleux destin d'Amélie Poulain" por míseros 6 euros, resolvi passar no mercado pra comprar alguns quitutes, como vinho, queijo emmental, Coca-Cola e baguete, para acompanhar meu delicioso programa da noite: assistir ao meu filme preferido no aconchego do meu lar parisiense.
E lá fui eu, com duas sacolas à mão, subir seis andares de escada.
Clássico. No terceiro andar, um pé fechou o outro. Acidente: a sacola com o pão e o vinho voou, eu só ouvi o barulho do vidro contra o chão, e a garrafa se desfazendo em três pedaços. Eu parei, por três segundos me bateu um pânico, catei a sacola com o pão encharcado e os pedaços da garrafa, desci correndo até a lixeira, lavando a escadaria com meu doce J. P. Chernet, e meti o saco na lixeira.
Subi contemplando a sujeira que eu teria de limpar, sentindo aquele cheiro delicioso do meu falecido vinho, e fui buscar meu paninho de limpeza.
Enquanto enxugava degrau por degrau (pelo menos eu parei no terceiro), pensei que isso poderia ser alguma espécie de aviso divino, uma presença espiritual, não sei sobre o quê, porque derrubar justamente a sacola com os bíblicos pão e vinho... hum...

Alguns minutos depois...

Experiência desagradável n° 2:
Abro meu novo DVD, coloco pra rodar, toda feliz depois de ter voltado ao mercado e comprado a segunda garrafa de vinho, desta vez sem acidentes pelo percurso, e ... !!! Nada.
Meu PC não tinha a configuração necessária pra rodar o tal DVD...

Fui dormir com raiva, pensando que teria sido melhor se eu tivesse saído, e talvez tenha sido essa a tal mensagem não decifrada...

segunda-feira, 3 de março de 2008


Estava vendo o site da Folha agorinha, temperatura em Sampa, 21 graus. Tá quase lá!
Ontem foi o primeiro domingo do mês. Isso significa museu de graça.
Escolhi Musée d'Orsay e Musée Picasso.
Cheguei razoavelmente cedo ao primeiro: 15 minutinhos de fila e entrei.
Voilà, esse museu é bem legal, interessante mesmo. Mas ele é quase que inteiramente dedicado à pintura... Digo isso porque um museu assim pode facilmente se tornar tedioso, facilmente, mas não esse. Talvez porque o forte não seja a pintura clássica, acadêmica, mas o impressionismo e o expressionismo.
A gente percorre boa parte do museu à espera das últimas salas, com as obras de Renoir (o fascinante "Moulin de la Gallette" - ulaláaa!!!), Van Gogh (Nuit etoilée), Degas, Manet, Monet.
Descobri as obras de Henri de Toulose-Lautrec. Ele não é tão célebre no Brasil, eu mesma nunca tinha ouvido falar (talvez por falta de cultura mesmo), mas as obras dele são genias.
Passei umas quatro horas lá e depois juntei fôlego pra ver o Musée Picasso, bem fraquinho por sinal. As melhores obras dele estão no Centre Pompidou.

Depois voltei pra casa, e começou a chover.