Bom, acabei de almoçar. Menu do dia: arroz com moqueca de peixe. Sim, moqueca, que eu mesma preparei, com direito a leite de côco.
Aliás, eu fiquei estarrecida no dia em que disse para a mãe que precisava de leite de côco pra fazer um prato típico brasileiro e ela chegou do mercado com um na mão.
Essas esquisitices também existem por aqui, salvo o nosso velho amigo feijao-preto. O único pacote que eu trouxe do Brasil acabou há 2 meses.
Ah, eu aprendi a fazer moqueca de arraia aqui! Essa é pro Mauro. Nem no Brasil eu tinha tentado, conheci nas últimas férias que passamos no Ceará (aliás, que férias!).
Bom, falando em comida, eu acho a alimentação e o supermercado franceses muito mais ricos que os brasileiros.
Você pode ter certeza de que vai achar algum quitute diferente pra comer cada vez que vai ao mercado. Sao tantas iguarias, tantos tipos de mostarda, queijo, legumes, pães, patês, cafés (Lavazza a preço de banana!!!). E as latas de confit de canard... Hum... Tão simples de fazer e tão delicioso.
Vou fazer compras no mercado antes de voltar para o Brasil, isso é certo.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
terça-feira, 10 de junho de 2008
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Francês, ou ele cheira a perfume francês ou a cc. De manhã, geralmente, quando desço do metrô e pego a escadaria para sair da estaçao Victor Hugo, sinto uma deliciosa mistura de essências, perfumes deliciosos.
Par contre, às vezes sentam ao meu lado umas figuras com um cheiro dos infernos, típicos franceses que não tomam banho, mais velhos, geralmente.
Agora, o metrô em si. Um dia eu li num jornal um cineasta contando que umas das coisas de que ele mais gosta em Paris é o cheiro do metrô. Na hora, eu fiquei me perguntando se ele curte coisas bizarras, como urina e outros tipos de dejetos humanos, porque há dias em que o cheiro é realmente insuportável. Ratos são coisas comuns nas canaletas.
Mas depois, alguns meses depois, eu entendi o que ele quis dizer. É um cheiro.... bom.... não consigo descrever um aroma. É diferente de tudo, é o cheiro de Paris, do Velho Mundo, dos metrôs, da fuligem, da multidão. É um cheiro que vai me deixar saudades.
Par contre, às vezes sentam ao meu lado umas figuras com um cheiro dos infernos, típicos franceses que não tomam banho, mais velhos, geralmente.
Agora, o metrô em si. Um dia eu li num jornal um cineasta contando que umas das coisas de que ele mais gosta em Paris é o cheiro do metrô. Na hora, eu fiquei me perguntando se ele curte coisas bizarras, como urina e outros tipos de dejetos humanos, porque há dias em que o cheiro é realmente insuportável. Ratos são coisas comuns nas canaletas.
Mas depois, alguns meses depois, eu entendi o que ele quis dizer. É um cheiro.... bom.... não consigo descrever um aroma. É diferente de tudo, é o cheiro de Paris, do Velho Mundo, dos metrôs, da fuligem, da multidão. É um cheiro que vai me deixar saudades.
sábado, 7 de junho de 2008
Mãe
Esta tarde eu fui a um centro comercial em Bobigny, banlieu parisiense. E na volta, já na direção Porte Dauphine, eu vi uma senhora sentada, esperando o metrô, e ela não se parecia fisicamente com a minha mãe, mas ela tinha exatamente a mesma expressão de doçura, de ingenuidade, de piedade.
Eu senti meus olhos se encherem de lágrimas, subitamente, foi muito forte e emoção. Eu não sabia para onde olhar, nem no que pensar, para não continuar chorando.
Mãe, hoje eu senti saudades tuas, vontade de te abraçar, de te dizer que você é a minha mãe, que eu te amo.
O metrô partiu, e alguns minutos depois eu estava recomposta.
Eu senti meus olhos se encherem de lágrimas, subitamente, foi muito forte e emoção. Eu não sabia para onde olhar, nem no que pensar, para não continuar chorando.
Mãe, hoje eu senti saudades tuas, vontade de te abraçar, de te dizer que você é a minha mãe, que eu te amo.
O metrô partiu, e alguns minutos depois eu estava recomposta.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Sonho
Noite passada, antes de dormir, eu me deitei virada para a janela, olhando o céu, e comecei a pensar mais uma vez na minha volta para o Brasil.
Confesso que me bateu tristeza mais uma vez, e uma preocupação: meu futuro estado emocional. Sim, porque, imaginando-me em Campinas ou mesmo em SP, eu me vejo seriamente perdida, numa realidade que já não é mais a minha, ou que não foi durante 6 meses...
Fiquei me perguntando o que eu vou ter que fazer para compensar esse vazio que vai chegar, quanto eu vou ter que me divertir, sair, curtir, beber, para esquecer ou diminuir essa dor que virá.
Comecei a me questionar: "Será que vou me readaptar, por quantas semanas eu vou chorar, quanto eu vou lamentar ter sofrido nos primeiros três meses de Paris e não ter aproveitado quanto os últimos três?"...
Estou com medo. E estou preocupada comigo mesma.
Bom, mas o que eu ia contar é que eu acabei sonhando com a minha volta ao Brasil.
Eu ia ao banco fechar minha conta aqui em Paris e depois eu estava com o Mauro, e ele me dizia que as férias dele tinham sido adiadas para novembro, e eu não via a hora de viajarmos...
É o que todos falam: o pior é chegar. E partir. Foi assim do Brasil para Paris; será assim de Paris para o Brasil.
Confesso que me bateu tristeza mais uma vez, e uma preocupação: meu futuro estado emocional. Sim, porque, imaginando-me em Campinas ou mesmo em SP, eu me vejo seriamente perdida, numa realidade que já não é mais a minha, ou que não foi durante 6 meses...
Fiquei me perguntando o que eu vou ter que fazer para compensar esse vazio que vai chegar, quanto eu vou ter que me divertir, sair, curtir, beber, para esquecer ou diminuir essa dor que virá.
Comecei a me questionar: "Será que vou me readaptar, por quantas semanas eu vou chorar, quanto eu vou lamentar ter sofrido nos primeiros três meses de Paris e não ter aproveitado quanto os últimos três?"...
Estou com medo. E estou preocupada comigo mesma.
Bom, mas o que eu ia contar é que eu acabei sonhando com a minha volta ao Brasil.
Eu ia ao banco fechar minha conta aqui em Paris e depois eu estava com o Mauro, e ele me dizia que as férias dele tinham sido adiadas para novembro, e eu não via a hora de viajarmos...
É o que todos falam: o pior é chegar. E partir. Foi assim do Brasil para Paris; será assim de Paris para o Brasil.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Foi assim: eu estava em La Défense, encostada numa mureta esperando minha amiga subir as escadas do metrô, quando de repente eu senti alguma coisa se encostando por trás de mim.
Foi tão sutil e tão absurdo que eu não me dei conta do que estava acontecendo.
Eu me virei subitamente e comecei a falar alto, pra todo mundo ouvir, para o indivíduo: "Tu es fou ou quoi? Tu es fou ou quoi?". E o louco, engravatado, cara de árabe, saiu andando, sorrindo, sem me encarar.
Eu fiquei uns 10 minutos passada. Minha amiga chegou, eu contei, e ela disse: "Ainda bem que não aconteceu o pior, ele podia ter mandado você ficar quieta e fazer tudo o que ele quisesse."
Pois é, todo cuidado é pouco aqui na França. Pode não ter assalto, roubos, mas os homens são um pouco anormais em relaçao às mulheres.
Foi tão sutil e tão absurdo que eu não me dei conta do que estava acontecendo.
Eu me virei subitamente e comecei a falar alto, pra todo mundo ouvir, para o indivíduo: "Tu es fou ou quoi? Tu es fou ou quoi?". E o louco, engravatado, cara de árabe, saiu andando, sorrindo, sem me encarar.
Eu fiquei uns 10 minutos passada. Minha amiga chegou, eu contei, e ela disse: "Ainda bem que não aconteceu o pior, ele podia ter mandado você ficar quieta e fazer tudo o que ele quisesse."
Pois é, todo cuidado é pouco aqui na França. Pode não ter assalto, roubos, mas os homens são um pouco anormais em relaçao às mulheres.
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